
Escrita por William Shakespeare na virada do século XVII, a tragédia de Hamlet permanece como a peça mais celebrada em toda a história do Teatro Mundial. Shakespeare é considerado o inventor do humano, mas é raro conseguir conciliar a real proximidade que existe em sua obra com a realização efetiva. Agora, em uma releitura com elementos reveladores as questões do homem de hoje são mostradas com uma pincelada no psycho-rock. As apresentações acontecem neste sábado, ás 21, e no domingo ás 20h.
A trama básica está presente, mas a ideia é tirar o espetáculo da inacessibilidade e sua pompa na linguagem e aproximá-la da nossa realidade. Mas essa aproximação não passa por fazer uma mera transposição da história para o século XXI. Parte-se do fato de que as percepções (de tempo e espaço) no mundo de hoje são completamente diferentes das da época de Shakespeare para se trazer para o campo do homem contemporâneo as angústias das personagens.
Jota Eme dirige com frescor e dinamismo os atores envolvidos nesta empreitada, ele embasa todas as ações na cadência das músicas que são tocadas ao vivo por uma banda, justapondo as batidas com o ribombar do sangue, das veias, do cérebro e do coração, não esquecendo que a única certeza que realmente temos na vida é a morte.
O ator Fernando Cardoso protagoniza o espetáculo explorando as diversas facetas que Hamlet entrega nas mãos do ator que recebe esse presente em vivê-lo em cena, cercado por um elenco que reúne veteranos e estreantes emoldurados pela temática psycho-rock criam nuances e fundamentam as ações vertiginosas deste espetáculo.
No Castelo de Elsinor, na Dinamarca, o fantasma do Rei Hamlet aparece para seu filho, o príncipe Hamlet, e exige uma vingança. O fantasma diz ter sido envenenado pelo próprio irmão Claudio, uma réplica do primeiro crime, a morte de Abel pelas mãos de Caim.
O pai fantasma exige e o filho promete vingança imediata. Morte por morte. Claudio acaba casando com a Rainha Gertrudes, mãe de Hamlet, roubando de seu pai a um só tempo a vida, a coroa e a mulher. Paralelamente, Hamlet se apaixona pela jovem Ofélia, filha de Polônio, conselheiro de Claudio e Gertrudes, e irmã mais nova de seu amigo Laertes. Permeando toda essa trama a estética psycho-rock se manifesta e fortalece as personagens na dinâmica paradoxal: vida e morte. E por trás dos sorrisos dos poderosos, vai se revelando a ambição dos canalhas. Pelo menos assim é, em qualquer lugar do planeta.
Fotos: Divulgação










