Alemanha: dor e superação nos 25 anos de queda do Muro de Berlim

Quando a 2ª Guerra Mundial terminou na Europa, em maio de 1945, o mundo estava dividido entre dois regimes: o capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o socialista, capitaneado pela antiga União Soviética (URSS). A nova composição de forças afetou a Alemanha e, especialmente, Berlim, que foi marcada duramente pela construção do muro cujo aniversário de derrubada se comemora nesta semana.
25 anos depois, na capital alemã da reunificação, o que antes era um longo muro de concreto foi substituído por balões de luz, em uma linha de 15 quilômetros, para relembrar que barreiras precisam ser quebradas na mente das pessoas todos os dias. Neste domingo, na grande festa pública que foi preparada em homenagem à reunificação, os balões serão lançados aos céus às 19h de Berlim (16h de Brasília), como um símbolo de paz e unidade.
Pelo acordo de Potsdam, assinado meses depois do final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista, derrotada no conflito, foi divida em quatro zonas de ocupação, sendo três delas destinadas aos aliados do Ocidente (Estados Unidos, França e Reino Unido) e uma ao governo soviético. Dessa divisão nasceram, em 1949, a República Federal da Alemanha (RFA), de orientação capitalista, e a República Democrática da Alemanha (RDA), comunista.
A jornalista brasileira Fátima Lacerda, que vive em Berlim há 26 anos, se lembra bem quando, em outubro de 1961, dois meses após a construção do Muro, tanques americanos e soviéticos ficaram em posição de ataque, na barreira de Friedrichstrasse, chamada de Checkpoint Charlie.
Na visão dos aliados ocidentais, ao impedir o trânsito livre pela Alemanha, a URSS tinha violado o acordo assinado em 1945. “Por horas, os dois poderes militares ficaram ali, frente à frente, a uma distância de poucos metros. O sentimento que a gente tinha era de que, a qualquer momento, poderia começar a 3ª guerra mundial”, lembra ela.

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