Conciliando instrumental e eletrônico, projeto Ankou lança álbum “Toro”

Lançado ontem (15) pelo selo GATOPARDØ em parceria com o Coletivo Atlas, “Toro” (2018) é o terceiro álbum do projeto Ankou, desenvolvido pelo músico e produtor curitibano Leonardo Gumiero. Nos últimos anos, Leonardo participou das bandas Farol Cego, Veenstra, Trem Fantasma e Cora. Seu último projeto foi a produção do álbum “El Rapto”, da banda Cora, que figurou nas listas de “Melhores álbuns de 2018” em mais de 10 sites especializados.

 

Fruto de seu projeto solo, “Toro” solidifica as aspirações estéticas desenvolvidas ao longo de quatro anos do projeto Ankou: samples étnicos, beats programados e instrumentos tocados pelo compositor. As composições, dançantes e experimentais, têm cada qual seu próprio universo sonoro, com influências das mais diversas, de Nicolas Jaar a Battles.

 

O álbum possui simultaneamente uma natureza ancestral e futurista que é construída não através de palavras, mas a partir de texturas coloridas e amostras musicais de diversas partes do mundo. Os nomes das músicas expressam essa vontade de se desvincular da fala racionalizada, em favor de uma comunicação desencarnada e alegórica. O álbum se usa da linguagem como uma criança, de forma despretensiosa, brincando entre gêneros da música eletrônica e instrumental e estruturas musicais inesperadas. A conversa entre o digital e o orgânico cria uma atmosfera plural de representações que podem ser leves, dançantes ou carregadas de significado.

 

Somado aos samples, que vão de Bjork, Schubert até cerimônias tradicionais em Gana, Leonardo também tocou e gravou todos os instrumentos presentes no álbum. Baixos, baterias, guitarras e teclados formam uma banda de apoio para a construção narrativa do material.

Sobre Ankou:

 

Ankou é um projeto de música eletrônica experimental. Com estética maximalista e excêntrica, trabalha com transformações digitais de sons concretos, assim como o uso extensivo de samples para formar suas narrativas musicais.

 

O primeiro álbum, “Ascending Dive” (2015), foi composto em paralelo com os trabalhos de Gumiero na banda Farol Cego. O álbum possui composições ritmadas que construíram a identidade sonora do projeto. O segundo lançamento, “Anetê Y’taba” (2016), traça um arco na direção oposta. Com quatro peças ambientes, Leonardo explora a forma composicional através de narrativas texturais, criando uma atmosfera complexa e grandiosa. Em seguida, lançou o EP “Coloniste” (2016), em colaboração com o projeto Mante (na época nomeado Alpes), com composições originais e dois remix.

Foto:  Tárcilo Pereira