Cia. Cerne apresenta drama sobre ditadura, luto e Alzheimer

A história de uma família marcada pela tragédia. Uma trama sobre a dor da perda na ditadura militar. Pela primeira vez em Curitiba, a Cia. Cerne participa do Festival de Teatro 2015 com o espetáculo Ainda Aqui, que apresenta o drama de uma família que, desde sua origem, é obrigada a conviver com dores e sacrifícios, reconstruindo certezas e afetividades. A trama se desenrola a partir do desaparecimento do filho, Maurício, torturado e morto político; e do desenvolvimento do Alzheimer na mãe, Maria, que, esquecendo-se repetidamente da morte do filho, confina a si mesma e ao marido num eterno retorno ao luto.
Com apenas dois atores em cena – Higor Nery e Leandro Fazolla, que sozinhos dão vida a uma série de personagens, entre homens e mulheres, em um minucioso trabalho de interpretação – o espetáculo é delineado pelos lapsos da memória de Maria, que, após a morte do filho, cria novos signos numa complexa estrutura familiar.

Escrita e dirigida por Vinicius Baião, a peça foi criada a partir de pesquisas realizadas pelo grupo sobre temas como luto, Alzheimer, regimes políticos ditatoriais e também sobre um estudo da epístola de Tiago. Vencedor de mais de 30 prêmios em diversos festivais de teatro – melhor espetáculo, melhor espetáculo por júri popular, melhor direção, melhor texto, melhor ator, melhor cenário, melhor maquiagem e melhor trilha sonora em premiações realizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – Ainda Aqui terá três apresentações durante a mostra Fringe, que acontecem nos dias 28, 29 e 30 de março no Café Teatro Toucher La Lune.

Fotos: Divulgação.