Exposição coletiva recria nova linguagem por meio de percepções únicas na SIM Galeria

Mistérios, enigmas e o vasto desconhecido que cercam nossa existência mobilizam o olhar de uma série de artistas. Reunidos na exposição Limiar, que acontece na SIM Galeria a partir do dia 20 de janeiro, dez nomes da nova geração paranaense apresentam, por meio dos mais variados suportes – pintura, fotografia, escultura e vídeo – narrativas extraordinárias geradas sobre a matéria do mundo, aquilo que nos é invisível ou banal. Com curadoria de Arthur do Carmo e Tony Camargo, a mostra traz trabalhos que revigoram a linguagem, introduzindo uma poética com novos desdobramentos simbólicos e dialéticos.
Nas fotos e vídeos de Daniel Duda, a relação entre o meio digital e a concretude física explicita de que maneira ocorre a sutil troca entre homem/máquina e meio/tecnologia. Em busca de uma poética afetiva tecnológica, Jack Holmer percorre a forma tentando visualizar o que carece de conexão, interação e amparo. Com imagens manipuladas, Janete Anderman transporta seus personagens para um universo surreal e nostálgico. Já Hugo Mendes produz esculturas tridimensionais a partir de técnicas e materiais variados, tendo como base objetos ready-mades e outros confeccionados manualmente.
Todas as obras expostas oferecem novas possibilidades de pensamento e uma outra espécie de racionalidade, que nos levam a desvendar conceitos e matérias. Os desenhos e as pinturas de André Azevedo nos transportam a um lugar-comum e oferecem memórias e lembranças de algo que não vivemos. LailanaKrinski explora cruzamentos e aproximações entre as linguagens do desenho e da instalação. Em suas obras, C. L. Salvaro trabalha com a configuração dos espaços e a questão de local, construção, resquícios e percepção. As instalações, esculturas e intervenções de Juan Parada sugerem impermanência e instabilidade, além de investigar as relações de tempo-espaço. Já as pinturas de Samuel Dickow carregam uma reflexão sobre o processo de produção pictórico e seus modos de representação. Utilizando diferentes métodos, as telas de Willian Santos apresentam conexões e desconexões que permitem ao observador ir além e aquém da imagem.
“O conglomerado de artistas aqui reunidos se encontram num arquipélago formado por seus próprios trabalhos, resultado de pesquisas aprofundadas que vêm desestabilizando a própria ideia de linguagem, sem perder de vista seus conceitos e sua história, encontrando nos rudimentos do acaso o limiar dos mistérios que nos ensinam a olhar incessantemente o mundo através do terreno inóspito da arte”, explica Arthur do Carmo. Limiar fica em cartaz na SIM Galeria até 27 de fevereiro.

Foto: Divulgação.