
Apenas 57,42% dos industriais paranaenses estão otimistas em relação a 2015. 35,81% estão pessimistas e 6,77% mostram-se indefinidos. O nível de otimismo é o mais baixo de toda a série histórica da Sondagem Industrial, realizada anualmente pelo Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), desde 1996. O pessimismo supera até mesmo os anos de crise intensa, como 1999 e 2009.
“Esta sondagem foi realizada em novembro último, quando já estava se anunciando a elevação da carga tributária que vai representar uma pressão sobre os preços e impactar o consumo das famílias”, disse Maurílio Schmitt, coordenador do departamento econômico da Fiep. “Não é por acaso que o índice de otimismo é tão baixo e sinaliza um ano difícil”, disse. Schmitt acrescenta que nos 19 anos em que a Sondagem Industrial é realizada a carga tributária e os encargos sociais elevados são os itens apontados pelos industriais como os que mais oneram a atividade produtiva.
Oportunidades – O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, disse que ao mesmo tempo em que 2015 será provavelmente o ano da maior crise da história, poderá ser o ano das oportunidades. “Não temos uma política industrial no Estado e no País. Se os governos e os parlamentares olharem atentamente para a proposta de política industrial que formulamos, podem minimizar o impacto da crise”, declarou, referindo-se ao documento entregue pela Fiep, ainda em outubro, aos candidatos ao Executivo e ao Legislativo. “A CNI (Confederação Nacional da Indústria) também apresentou suas proposições e o governo federal já sinalizou positivamente para algumas delas”, informou.
Micro e pequenas indústrias – Este é o segundo ano em que a Sondagem Industrial inclui também uma avaliação específica das micro e pequenas indústrias. Entre os micro e pequenos empresários o nível de otimismo é ainda menor, apenas 56% dos entrevistados se dizem otimistas em relação a 2015. No ano passado, quando foi realizada pela primeira vez a sondagem junto aos micro e pequenos o nível de otimismo chegou a 74%.
“O impacto para as micro e pequenas indústrias é mais pesado. Temos uma crise instalada e precisamos sair dela. Nossa expectativa é pela regulamentação da lei das micro e pequenas empresas que prevê um tratamento diferenciado em relação a vários pontos, como crédito e política de inovação”, disse o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta. Falando na mesma linha do presidente da Fiep, o diretor do Sebrae também ressaltou a necessidade de transformar dificuldades em oportunidades e disse que o Sebrae vai manter os investimentos programados para apoiar o pequeno empreendedor.
Campagnolo afirmou também que a estrutura do Sistema Fiep, por meio do Sesi, Senai e IEL, manterá sua política de investimentos especialmente voltada à qualificação profissional do trabalhador para a indústria e ao incentivo à inovação e melhoria dos processos com vistas aos ganhos de produtividade.
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