
Faltando menos de uma semana para o fim do prazo, mais de 90% dos professores da rede municipal de ensino de Curitiba já aderiram ao novo plano de carreira do magistério. O número é um indicativo da aprovação do plano pela categoria, que há muitos anos esperava um instrumento capaz de reestruturar as carreiras, corrigir distorções passadas e garantir efetiva valorização ao magistério.
A adesão ao plano – sancionado pelo prefeito Gustavo Fruet em novembro do ano passado, depois de um longo processo de discussão com o magistério – é opcional. Até agora, aderiram 11.777 professores, de um total de 12.782.
Assim como em muitas outras unidades, na Escola Municipal Mirazinha Braga, no Bom Retiro, várias professoras reuniram-se para consultar juntas o simulador colocado pela Prefeitura na internet para apoiar os profissionais na decisão de aderir ou não ao plano. A reação foi de comemoração – e até de susto para algumas – diante das vantagens mostradas. “A maioria das 47 professoras da escola já entregou seus termos de adesão assinados”, conta a diretora Danielle Oliveira.
Uma delas é Larissa Silveira Costa, professora das turmas de 5º anos, que não pensou duas vezes para optar pelo novo plano. Com dois padrões na rede – 24 anos de trabalho no primeiro e nove no segundo –, a professora considerou a migração vantajosa nos dois casos. “Levei um susto quando abri o simulador, pois são 61,5% de reajuste em um dos meus padrões e 17% no outro. É o melhor e mais completo plano de carreira nos meus 24 anos de magistério municipal”, disse Larissa.
O vencimento básico de Larissa no padrão mais antigo passou de R$ 2.252,09 para R$ 3.636,00 a partir do novo plano. Durante o tempo que dedicou à carreira, Larissa fez pós–graduação em história e especialização em educação especial, participou de seis movimentos internos de crescimento, atuou como diretora e vice-diretora de escola.
Pelo fato de ter também um padrão mais recente na rede, Larissa avaliou positivamente outra característica do plano, a de acabar com as distorções salariais que havia entre os profissionais mais antigos e os novatos da rede. Em decorrência de perdas ocasionadas em planos anteriores, não eram raros os casos em que, numa mesma escola, profissionais recém-aprovados em concurso público ingressavam na rede com salários semelhantes aos de profissionais com muitos anos e muita experiência na rede.
No caso de Larissa, por exemplo, não chegava a R$ 200 a diferença salarial entre um padrão e o outro, mesmo havendo 15 de dedicação a mais no primeiro. “Muitos conflitos acabavam surgindo na escola, pois as profissionais antigas não eram reconhecidas pelo tempo de serviço, pela experiência adquirida ao longo dos anos. E isso acabou com este novo plano”, avalia Larissa. Ela conta que, quando diretora, precisou administrar mais de uma vez situações como essa.
Momento histórico
O reconhecimento do tempo de serviço é também uma conquista comemorada pelas professoras contratadas há menos tempo. Letícia Cervi Seletti está na rede municipal há quatro anos e não tem perdas salarias para serem corrigidas, porém também aderiu o novo plano. “É um plano justo, que valoriza tanto o tempo quanto o investimento na carreira”, disse Larissa.
Um dos reflexos positivos destacados por ela é o incentivo à formação. “Aderi ao plano e já me inscrevi em uma pós-graduação em neuropsicopedagogia, pois agora a minha titulação será valorizada”, disse a professora. Pelo regime anterior, a formação feita durante o período do estágio probatório não era contabilizada. A partir de agora, ao fim do estágio probatório, a valorização da titulação será imediata.
A vice-diretora da escola, Adriana do Carmo Vitti acompanha o movimento das professoras da equipe na adesão ao plano. “É um momento histórico para nós do magistério e estamos festejando isso”, disse Adriana. “Em abril, quando começamos a receber o pagamento das primeiras distorções ocasionadas por um plano de carreira implantando em 2001, percebemos que havia finalmente mudado a forma da administração se relacionar com o servidor. Iniciamos uma relação de confiança e respeito”, disse Adriana.
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