
O número de consultas de enfermagem nas unidades básicas de saúde aumentou 164% nos últimos dois anos. Em 2014, só até novembro foram realizados 801.633 atendimento. Durante todo o ano de 2012, foram realizadas pouco mais de 304 mil consultas com enfermeiros nas 109 unidades de saúde. Em 2013 o número já havia aumentado para 533.914 consultas.
“Esse aumento no número de atendimentos reflete as mudanças que realizamos nas unidades básicas logo que assumimos a gestão, a partir do resgate do papel do enfermeiro e da facilitação do acesso dos usuários do SUS aos equipamentos de saúde”, frisa o secretário municipal da Saúde, Adriano Massuda. “O principal papel do enfermeiro na atenção primária é o cuidado com a pessoa, e é isso que estamos conseguindo resgatar e valorizar”, afirma Paulo Poli, diretor de Atenção Primária da secretaria.
Para a enfermeira Dulce Fieltz, que trabalha na rede municipal há oito anos, a mudança valorizou o papel do profissional de enfermagem. “Hoje tenho mais autonomia no trabalho e consegui resgatar o papel assistencial da enfermagem, que é o que nos faz escolher esta profissão. O vínculo com os meus pacientes está mais forte, consigo conhecer a realidade e histórico de cada um, o que otimiza o atendimento”, conta.
Uma medida importante para o resgate do papel dos enfermeiros foi a reorganização dos espaços em diversas unidades de saúde, fazendo com que o enfermeiro tenha o seu consultório ao lado do médico da sua equipe. Isso é importante porque permite o trabalho em maior parceria entre os dois profissionais.
Muitas vezes o problema acaba sendo resolvido pelo próprio enfermeiro, como nas coletas de exame preventivo, curativos e outros atendimentos que o profissional é capacitado a realizar. Esta é uma tendência já utilizada por países reconhecidos pela qualidade do sistema público de saúde, tais como Inglaterra, Holanda e Espanha, onde o papel do enfermeiro é cada vez mais valorizado.
Além disso, os enfermeiros do Programa Saúde da Família fazem visitas domiciliares. “Sou enfermeira e coordenadora de unidade e vi na prática esta mudança acontecendo. Quando os enfermeiros deixaram somente o burocrático e puderam voltar seu olhar para o atendimento das pessoas que procuram a unidade, percebi que o andamento de todo o processo melhorou. Hoje os médicos atendem aqueles que realmente precisam de consulta médica”, conta Daniele Teixeira Fontoura, coordenadora da unidade de saúde Ouvidor Pardinho.
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