Doença degenerativa da mácula que causa perda da visão central gera preocupação na comunidade oftalmológica

Condição ocular rara, “Atrofia macular extensa com pseudodrusen” afeta a mácula – parte central da retina responsável pela visão central e detalhada

Uma doença oftalmológica rara que afeta a mácula – parte central da retina – vem causando preocupação na comunidade oftalmológica. Da sigla em inglês EMAP (Extensive Macular Atrophy With Pseudodrusen), a “Atrofia macular extensa com pseudodrusen” é uma condição degenerativa que pode levar a uma perda significativa da visão central.

Segundo o médico oftalmologista e especialista em retina do Hospital de Olhos do Paraná, Dr. Carlos Augusto Moreira Junior, a EMAP tem três principais características. “A primeira dela é a atrofia macular, que é a perda de tecido da mácula, levando a uma redução da visão central. A segunda é o Pseudodrusen, que são depósitos amarelados que se formam na retina, semelhantes aos drusen, mas com uma aparência diferente. Por fim, temos as lesões retinianas, incluindo a perda de células fotorreceptoras e a formação de cicatrizes”, explica.

As causas da EMAP ainda não são conhecidas, mas estudos indicam que ela possa estar relacionada ao aparecimento de febre reumática na infância, com uso prolongado de benzetacil. “Achava-se que era uma variante da Degeneração Macular Atrófica Precoce, ou sejam, acometia pessoas de 50 anos. Investigando o problema, notamos que ela atingia pessoas até antes dessa idade. A gente começou a ver pacientes em série, no sentido de acompanhar vários anos, pedir exames anteriores, e descobrimos que a doença tem relação com o aparecimento de febre reumática na infância. Todos os pacientes que nós listamos tiveram essa febre, e trataram com benzetacil por longos anos. Então isso realmente é uma novidade na oftalmologia. Nós ainda estamos  estudando se isso é decorrente da reação inflamatória produzida na retina pela febre reumática, ou se é devido à toxicidade pelo uso contínuo por longos anos de benzetacil”, afirma.

Tratamento

Atualmente, não há um tratamento específico para a atrofia macular extensa com pseudodrusen. Entretanto, algumas alternativas podem ajudar a retardar a progressão da condição. São elas: injeções de anti-VEGF, que podem ajudar a reduzir a formação de novos vasos sanguíneos anormais; Terapia de fotocoagulação – pode ajudar a reduzir a formação de pseudodrusen; acompanhamento regular com um oftalmologista é fundamental para monitorar a progressão da condição e ajustar o tratamento conforme necessário.