Nilson Monteiro assume cadeira de Helena Kolody e Belmiro Castor

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Nilson Monteiro tomou posse na Academia Paranaense de Letras (APL), da cadeira 28, que tem como patrono o escritor Francisco Carvalho. O fundador foi Rodrigo Junior e já ocuparam essa cadeira ícones da literatura paranaense como Helena Kolody, Leonardo Henke e Belmiro Valverde Jobim Castor.
Seus padrinhos foram Dante Mendonça (jornalista), Ernani Buchmann (jornalista), Rene Dotti (advogado), e Eduardo Virmond (advogado). Todos membros da APL que, como dita a regra, indicaram o Nilson, depois de analisarem sua obra literária.
Em entrevista, ele disse que “se fosse (essa honraria) há dez anos, não sabe como receberia. Mas hoje, conhecendo o colegiado da APL, talentos da literatura, medicina, músicos e outros expoentes das artes no Paraná. Sinto-me honrado com o convite. Eles são o que de melhor existe no Estado e estar com eles me estimula a continuar na carreira.”

O novo “imortal”
Mas, quem é Nilson Monteiro? O jornalista e escritor Aroldo Murá G. Haygert descreve assim, no seu livro Volume 6, da série Vozes do Paraná:
“Ele vive de escrever. Desde mocinho. Fez e faz muita poesia. Mas o universo em que sempre transitou com maior destreza e visibilidade é o do jornalismo. Nele se expôs, apaixonadamente – ‘não entendo jornalismo a não ser exercitado com paixão’, diz. Seu primeiro romance, sua atual grande novidade, está aí. É ‘Mugido de Trem’, sólido exemplo de como alguém pode trabalhar a palavra na economia de sua essencialidade.”
Nascido em Presidente Bernardes (SP), há 63 anos, tem 43 dedicados à sua profissão: jornalismo. Pelas andanças da família veio se radicar em Londrina, onde graduou-se em Letras Franco/Portuguesas (Universidade Estadual de Londrina), onde se destacou como líder estudantil. Logo estava no Novo Jornal, sob a tutela do escritor Domingos Pellegrini, tendo como companheiros Marcelo Oikawa, Roldão Arruda, Carlos Eduardo Lourenço Jorge e Airton Procópio. “Era um projeto inovador e foi o nosso aprendizado na prática”, conta Nilson. Na vida acadêmica não deixou por menos, lançando o “Levanta, Sacode a Poeira e dá Volta por Cima”, que deu trabalho aos censores da ditadura e foi peça importante na política estudantil.
Dessa época traz consigo um grande aprendizado, que sintetiza na frase do filósofo grego Sócrates: “Só sei que nada sei”. Verdade que norteou sua vida jornalística, inclusive nas entrevistas e reportagens. Princípio que passou aos outros que trabalharam com ele. O jornalista deve obter as declarações dos entrevistados, Ouvir e não acrescentar.
Obra
Não é só o “Mugido do Trem” (seu primeiro romance) que faz sua obra literária. Na realidade é uma obra extensa: Simples (poesia); Curitiba vista por um pé vermelho (crônicas); Ferroeste, um novo rumo para o Paraná (reportagem); Itaipu, a luz (reportagem); Pequena casa de jornal (crônica); Madeira de Lei, uma crônica da vida e obra de Miguel Zattar (biografia); Sebrae – 40 anos ajudando a transformar vidas (institucional); Pedaços de muita vida – A história dos 122 anos da Associação Comercial do Paraná (história).
A carreira na imprensa é longa, desde 1970 já atuou no Novo Jornal (repórter, editor), Folha de Londrina (repórter, chefe de reportagem, editor), Panorama (repórter, pauteiro, chefe de reportagem, editor), Movimento (repórter), O Estado de S. Paulo (repórter), Gazeta Mercantil (repórter, secretário de Redação, chefe de Redação, editor executivo na Sucursal de Curitiba). Outros: Diário da Manhã, Viver Londrina, Bom Domingo etc. Foi repórter da revista IstoÉ, foi também repórter, comentarista e chefe de reportagem na rádio Alvorada, TV Tropical e TV Paranaense. Não termina aí. Ele tem prestado serviços de assessoria de imprensa. Atividade que ocupa hoje, como assessor do governador do Paraná, Beto Richa.
Segundo Ernani Buchmann, “Nilson é escritor de rara habilidade. Trafega pela prosa e pela poesia como a mesma fluidez, dando a falsa impressão de que escrever é a coisa mais fácil entre as inventadas pelo ser humano. Melhor ainda, escreve na primeira e na terceira pessoa, como se fosse mais de um. Nessa questão, é mediúnico: interpreta o objetivo dos outros sem deixar as próprias impressões.”

Colega e amigo
Marcante foi a época em que dirigiu a sucursal de Curitiba da Gazeta Mercantil como chefe de redação e editor executivo. O jornal impactou o empresariado local, no início da fase de industrialização do Paraná. Foi referência de assuntos de economia para os executivos recém-chegados com as empresas que estavam sendo instaladas na região de Curitiba. Ali ele trabalhou e se tornou amigo de outros jornalistas de nome na mídia paranaense, como Cláudio Lachini, Valério Fabris, Eduardo Sganzerla, Rosemeire Tardivo. Aliás, amizades ele soube cultivar, com sua sensibilidade e fácil relacionamento, acrescentando à lista jornalistas como Jaime Lechisnki, Ernani Buchmann e Geraldo Bolda, entre outros.
É claro que uma carreira dessa trouxe o reconhecimento público e especializado. A lista de prêmios e honrarias é longa. Menção Honrosa na Bienal Internacional do Livro, Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (1982); Melhor Cobertura da Bienal Internacional do Livro, Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (1984); Melhor Reportagem Econômica, Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Curitiba (1995); Melhor Livro Memória Empresarial, Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJ), São Paulo (2000), com o livro “Itaipu, a luz”. Foi distinguido também como Cidadão Honorário de Londrina (1999); Cidadão Honorário de Curitiba (2000); Cidadão Honorário do Paraná (2012). Agora chega a vez de ser distinguido como membro da Associação Paranaense de Letras (APL).

))) Odailson Elmar Spada
Foto: Divulgação.